sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sete e meia da manhã, andando pela cidade demente, cabeça baixa, passos largos. Tem sido difícil, rude. Sem vontade alguma de olhar pra frente, e encarar novos rostos, buscar na exaustidão algum reconhecimento. (...) Escondendo meus olhos detalhistas, minhas olheiras de insônia. (...) Ao menos, consciência limpa. Leveza, sensação antiga de dever cumprido, parte feita. E ainda assim, desinteressada. Desiludida. Vontade inexata de implodir tudo, e reconstruir o mundo, seus valores, algumas vidas. (...) Um pouco decepcionada com os caminhos, com o que a vida [não] está ofertando, com o que [não] disponho em mãos. Sou sempre eu agora, lutando contra a semana, pra que passe logo e eu possa ficar assim à sós contigo, ou no meio do dia, nem que por uma horinha, pra fugir dos cliques das fichas que caem. Baixando o som do que me tem me afugentado da vida, pelo lado avesso; aqui por dentro, quebra-cabeça interno. (...) Mas sozinha, volto a me sentir avulsa e desnorteada. Estou triste por dentro, e isso se reflete nos meus passos lentos, no meu olhar distante, na minha fala seca. As pessoas captam essa meu aspecto cabisbaixo, meu pessimismo latejante, e em sua maioria, fogem.
(...)
Me pergunto então, no que ando errando tanto, papai do céu? Aonde é que se encobre os erros que cometi, pra que a sombra me seja marca d'água? Injustiça, repito, nada justo ajudar, e não ouvir o que necessito, o que quero. Ter independência, conquistar um emprego de poucos tão cedo, ser responsável, fazer isso, fazer aquilo, fazer certo tudo, tudo e tudo, e receber de volta uma indiferença deslavada, um vazio completo de coisa boa alguma. Agora peço apenas o resgate da minha paz de espírito, da minha alegria em fazer porque gosto, como recompensa de meu sorriso sincero, e o fim desses lamúrios. E que você afaste de perto de mim tudo o mais que não me faz bem, e insiste em ficar. (...) E que eu levante o rosto, e olhe para os possíveis retratos que a vida tira de mim, e me retorna muito em seguida, sem sucumbir.

E, finalmente, que o retrato dele, que a voz, os passos, o cheiro, as mãos e tudo o que é nosso agora, seja abençoado, seja doce e dure. Seja forte, firme e dure, por favor, pra sempre. Porque a única coisa que me mantêm em pé, que me coloca esse sorriso de estampa... A única coisa que me alimenta vida, é ele.
Amém!

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